sexta-feira, 10 de março de 2017
STF concede imunidade tributária a e-readers e e-books
segunda-feira, 5 de setembro de 2016
Celular passa de vilão a aliado em escolas de SP
Ele já foi um dos grandes vilões da sala de aula. Proibido na maioria das escolas, o celular era apontado pelos professores como um dos principais motivos de desatenção dos alunos. Colégios particulares de São Paulo, no entanto, defendem que ele pode ser um aliado no aprendizado.
Como as crianças ganham o primeiro celular cada vez mais cedo, há escolas que já usam o aparelho a partir do 6.º ano do ensino fundamental. Os colégios recomendam, porém, que haja um acordo com os alunos para que o item seja utilizado somente quando os professores autorizarem.
No Colégio Bandeirantes, os celulares são usados pelos alunos do ensino médio em algumas aulas de um projeto interdisciplinar, o Steam (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, na sigla em inglês). Em uma delas, os estudantes utilizam o aparelho para buscar mais informações sobre obras de artes. As imagens de quadros são dispostas pela sala e, ao mirar o aparelho para elas, o aluno pode visualizar vídeos, áudios e outras informações sobre o artista e o período em que a obra foi feita.
Em outro projeto, eles investigam e precisam solucionar um crime fictício. Os jovens recebem pistas pelo celular e, durante a resolução, se deparam com conteúdos de biologia, física e química.
Segundo Tiago Eugenio, professor de biologia do colégio, para essas atividades é usado o conceito de realidade ampliada, que adiciona informações virtuais a elementos do mundo real. `Os jovens estão acostumados com a tecnologia, mas, mesmo assim, ficam impressionados quando encontram as informações dessa forma.`
Pokémon
A professora de biologia Viviane Bozolan, do Colégio Mary Ward, decidiu usar o celular como aliado em uma situação inusitada. Um dia após o lançamento do jogo Pokémon Go, ela estava com dificuldade em dar aula porque os estudantes do ensino médio não largavam o aparelho. Aproveitou, então, o interesse pelo jogo para associá-lo à aula sobre protozoários.
`Comecei a explicar que protozoários, assim como os pokémons, também têm ciclo de vida, passam por transformações e têm poderes de ataque. Os alunos acharam divertido e passaram a prestar atenção.` Segundo Viviane, o professor não pode se esquecer de impor limites. `Fiz um acordo para usarem em alguns momentos.`
No Colégio Móbile, o celular é proibido para os alunos do ensino médio, mas seu uso pode ser liberado para fins pedagógicos. Na aula de Rodrigo Mendes, professor e coordenador de biologia do colégio, o aparelho é usado para aumentar a interação. `Quando faço uma pergunta para a classe, só posso ouvir o que dois ou três vão dizer, e são mais de 30 estudantes por sala`, afirma. Por isso, começou a usar formulários online, para que todos pudessem responder ao mesmo tempo.
Os estudantes a partir do 6.º ano do fundamental são proibidos até mesmo de levar o celular para a escola, mas exceções podem ser abertas quando o aparelho é usado para atividades como a que os alunos fotografam plantas e insetos para discutir sobre eles na aula de ciências.
Estado
Também na rede estadual a liberação do uso de celular em aula está em discussão. O secretário estadual da Educação, José Renato Nalini, pediu ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) que libere o uso do aparelho para fins pedagógicos. A proposta está sob análise. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: ESTADÃO CONTEÚDO - UOL EDUCAÇÃO - 05/09/2016 - SÃO PAULO, SP
Alunos cotistas são maioria em 63 universidades federais
As 63 universidades federais do país já oferecem mais vagas para cursos de graduação por sistema de cotas e ações afirmativas do que pelo formato de concorrência comum.
Este foi o primeiro ano em que a reserva para estudantes de escolas públicas superou o porcentual aberto à ampla disputa, dominado historicamente por alunos oriundos de unidades particulares de ensino.
O aumento foi impulsionado pela Lei 12.711, a chamada lei de cotas. Sancionado e regulamentado em 2012, o texto previa que gradualmente as universidades passassem a destinar vagas para cotas até que, ao fim de quatro anos, o porcentual atingisse 50% com base em critérios sociais e raciais.
No primeiro semestre de 2016, foram ofertadas 114,5 mil vagas reservadas (51,7%), ante 113 mil de disputa livre (48,3%). Em 2013, a proporção destinada a cotas estava em 33,4%.
O cumprimento da meta dos 50%, no entanto, ainda não significa que metade dos alunos atualmente matriculados nas universidades tenha vindo da escola pública. Relatório da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) mostrou que as federais tinham, em 2014, 939 mil estudantes, dos quais 305 mil, ou 32,55%, haviam entrado por meio de cota.
A expectativa é de que a reserva para cotas continue aumentando nos próximos anos. Em 2022, está prevista uma revisão do texto, que nasceu com argumento de política provisória.
Especialistas em Educação elogiaram o cumprimento da meta e ressaltaram o papel da inclusão para a representatividade, mas pediram atenção às formas de apoio e assistência a alunos que usam a reserva, dos quais metade é de baixa renda.
`As universidades federais são onde se forma a elite intelectual, empresarial e política do país. Então, uma universidade mais com a cara do Brasil, representada por negros e pessoas de baixa renda, ajuda a formar uma elite mais consciente`, disse o professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio) André Lázaro. `De outra forma, um conjunto de questões relevantes para a nação acaba se perdendo por esse público não dispor de uma inteligência formada na linguagem do ensino superior.`
Lázaro pede que um formato de avaliação seja instituído mais claramente para que em 2022 possa ser feita uma avaliação dos efeitos da lei. Hoje, diferentes pesquisadores conduzem análises sobre a medida. Um deles é o coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, que analisou notas do Enem de beneficiados por cotas.
O estudo mostra que a reserva de vagas não provocou queda relevante na nota mínima nem média de entrada nas instituições de ensino. `Há muita gente de escola pública na disputa. Então, os aprovados acabam entre os 10% com melhor desempenho. As cotas parecem muito boas, porque aumentam a representatividade sem diminuir muito a nota.`
O estudante Hasani dos Santos, de 22 anos, está no último ano de Ciências Sociais na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos). É o primeiro da família a entrar em uma universidade.
`Minha visão de ascensão sempre foi com o trabalho, nunca tive perspectiva de fazer universidade.` Para ele, cotistas favorecem a pluralidade.
fonte: ESTADÃO CONTEÚDO - UOL EDUCAÇÃO - 04/09/2016 - SÃO PAULO, SP
Saeb será o principal sistema de avaliação
Em nota oficial divulgada nesta sexta-feira, 2, o Ministério da Educação justifica a decisão de restabelecer o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o que foi feito por meio da Portaria nº 981, de 25 de agosto último. Em maio, o Saeb fora substituído pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb).
De acordo com a atual gestão do MEC, o Saeb já estava plenamente consolidado e reconhecido internacionalmente. Portanto, qualquer alteração que se fizesse necessária em suas referências não seria conveniente ou oportuna até que seja concretizada a revisão da Base Nacional Comum Curricular. Na nota, o MEC considera importante destacar, ainda, que o Saeb, criado em 1990, sustenta-se em estatísticas consolidadas. Suas informações subsidiam a formulação, reformulação e o monitoramento das políticas na área educacional nas esferas municipal, estadual e federal e contribuem para a melhoria da qualidade, equidade e eficiência do ensino.
sexta-feira, 13 de maio de 2016
UFSCar promove Semana da Educação de 16 à 20 de maio.
De 16 a 20 de maio, a UFSCar realiza a XIV Semana da Educação, que neste ano aborda o tema "Identidades dos pedagogos: escola, outros espaços e práticas de resistência". A programação diversificada visa ampliar o debate sobre a atuação dos profissionais de pedagogia em espaços não formais de educação, como em empresas, projetos educativos, movimentos sociais, educação do campo, entre outros. O objetivo é propiciar aos alunos e demais interessados da área o contato com informações ausentes na grade curricular, geralmente focada no professorado ou nos cargos de gestão associados ao sistema escolar. Ao longo dos dias, o evento conta com palestras, mesas-redondas, minicursos, oficinais, feira cultural, roda de conversa e mostras de trabalhos. As inscrições para a Semana são gratuitas e podem ser realizadas em www.semanadaeducacao.comou presencialmente nos dias do evento. Vagas para as oficinas são restritas e terão as inscrições liberadas apenas no final de semana. As atividades acontecem entre 8h30 e 22 horas, em vários locais da área Sul do Campus São Carlos da UFSCar. A programação completa, com datas, temas e locais, pode ser conferida no site do evento. A Semana é organizada por alunos do Centro Acadêmico da Pedagogia (CAPe), com apoio da Coordenação do Curso de Pedagogia (CCPed). Mais informações podem ser obtidas no site do evento ou pelo email semanadaeducacaoufscar@gmail.com.
quinta-feira, 12 de maio de 2016
Cursos e Palestras - UFSCar
Inscrições para o mestrado em Ciência da informação da UFSCar estão abertas até sexta-feira
As inscrições para o processo seletivo do Programa de Pós-Graduação Mestrado Acadêmico em Ciência da Informação da UFSCar estão abertas até sexta-feira, dia 13 de maio. Estão sendo oferecidas 10 vagas. O processo seletivo é constituído por duas etapas classificatórias (prova de compreensão em língua inglesa e avaliação dos projetos de pesquisa) e uma eliminatória (defesa oral dos projetos de pesquisa). O edital do processo seletivo e outras informações relacionadas ao Programa estão disponíveis em www.ppgci.ufscar.br. Outras dúvidas podem ser esclarecidas pelo email ppgci@ufscar.br ou pela página do Facebook do Programa.
UFSCar está com inscrições abertas em curso de especialização em Educação e Tecnologias
A partir do segundo semestre de 2016, a UFSCar, por meio do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Inovação em Educação, Tecnologias e Linguagens (Horizonte), passa a oferecer curso de especialização em Educação e Tecnologias. O curso tem proposta de formação aberta, híbrida, integrada e flexível, de forma que o próprio estudante escolha os componentes curriculares que deseja cursar, se realizará as atividades na modalidade presencial ou a distância e em quanto tempo concluirá a especialização. O curso oferece cinco habilitações (Mídias na Educação; Produção e Uso de Tecnologias para Educação; Gestão da Educação a Distância; Docência Virtual e Design Instrucional - Projeto e Desenho Pedagógico) e, de acordo com a habilitação escolhida, o aluno vai compor sua grade curricular e definir sua trilha pedagógica. Além disso, são previstas condições de atendimento às peculiaridades de cada educando e de oportunidades de personalização da sua formação, adaptando a proposta ao estilo de aprendizagem de cada estudante. As primeiras turmas estão previstas para o segundo semestre de 2016 e as inscrições já estão abertas. Todas as informações sobre a proposta pedagógica, a organização curricular, a metodologia, bem como sobre investimentos, prazos e matrículas estão disponíveis no site do curso. Dúvidas podem ser esclarecidas também pelo email edutec@ead.ufscar.br.
Simpósio Internacional de Ecologia recebe trabalhos até o dia 20 de maio
Está aberto até o dia 20 de maio o período de submissão de trabalhos para o II Simpósio Internacional de Ecologia, evento realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Recursos Naturais (PPGERN) da UFSCar. O intuito é reunir especialistas para celebrar os 40 anos de pós-graduação em Ecologia no Brasil. Os trabalhos podem ser encaminhados para o email eventosppgern@gmail.com, com o assunto "Submissão de Trabalho – Código da Inscrição", sendo "código da inscrição" o número gerado durante o cadastramento do boleto. Todas as normas de submissão estão disponíveis no site do evento. O Simpósio acontece entre os dias 16 e 19 de agosto e seu principal foco é discutir a Ecologia no Antropoceno – período definido por Paul Crutzen, em 2000, como o mais recente de tempo geológico da Terra e que tem sido influenciado pelo homem em sentido global. O encontro também objetiva debater os problemas ecológicos causados pelas ações humanas e avaliar e descobrir a falta de pesquisas para mitigar o impacto na conservação da diversidade biológica, processos e serviços ecossistêmicos. Para isso, conta com a participação de palestrantes nacionais e internacionais renomados da área. O Simpósio é aberto a todos os interessados, mas tem como público-alvo alunos de pós-graduação, egressos, docentes e pesquisadores na área de Ecologia. As atividades são realizadas em diversos locais do Campus São Carlos da UFSCar e as inscrições de ouvintes podem ser feitas até a data do Simpósio. Informações como taxa e formulário de inscrição, cronograma completo, horários e locais estão disponíveis em www.eventosppgern.ufscar.br. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo email eventosppgern@gmail.com.
Para entidades de ensino, Fies deve ser prioridade do novo governo.
As prioridades do novo governo na área da educação, a curto prazo, devem ser o Fies e a regulação no ensino superior, defendem entidades do setor. "No setor de educação, o grande diferencial é a volta de investimento em financiamento aos estudantes do ensino superior. As restrições no Fies e o corte do Pronatec causaram uma grande evasão", destacou Janguiê Diniz, presidente da Abmes, associação das mantenedoras de ensino superior. "O governo precisa informar qual o real orçamento do Fies. Mesmo que seja pouco, é preciso saber de antemão para ter planejamento para investir", complementou Paulo Cardim, presidente do Fórum que representa entidades do ensino superior. Cardim critica ainda o modelo de regulação no ensino superior privado que tem três etapas: avaliação, regulação e fiscalização. No entanto, o governo leva anos para aprovar um curso e abertura de unidades ou polos. Além disso, a avaliação dos cursos tem como base a média da nota dos alunos no Enade, exame feito pelos alunos do último ano. Essa nota não impacta o currículo escolar do aluno, o que não gera comprometimento por parte do estudante. "Hoje, só temos a regulação e a fiscalização", disse Cardim. Questionado sobre a possibilidade de que o novo ministro da Educação seja o deputado federal Mendonça Filho (DEMPE), Cardim destacou que a ocupação do cargo por um político sem conhecimento no setor não é exatamente um problema e que no atual momento é importante ele se cercar de bons técnicos, que conheçam a área. "Já tivemos casos em que o ministro era ligado à educação e nem por isso o setor foi menos prejudicado. O mais importante é a composição da equipe técnica do novo mistro. Só com isso é possível fazer uma avaliação", disse Cardim. Segundo Janguiê, Michel Temer é um articulador e esperase que busque nomes fortes para compor os ministérios e, principalmente, para garantir uma fluidez de processos. Janguiê considera positiva a redução no número de pastas. O presidente do Fórum criticou duramente as atenções dos governos em educação nos últimos anos. "O governo precisa priorizar de fato a educação. É preciso ações efetivas porque há várias leis como o Plano Nacional de Educação (PNE) e a Lei do Sinaes [legislação que regulamenta as avaliações no ensino superior] que só existem no papel", disse Cardim. Fonte: Valor Econômico |
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
✅ Porque deu errado?
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016
✅ Nenhuma criança deve ser comparada a outras.
✅ CDH analisa projeto que obriga ensino de Libras na educação básica
✅ Cidade gaúcha tem o menor índice de analfabetismo do país
✅ RG de pesquisador
✅ Brasilianas.org discute currículo comum para educação básica.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016
✅ Estado de SP reduz 1 hora de aula em 118 escolas e pais fazem críticas
✅ Aprovada em 1º turno PEC que autoriza universidade pública a cobrar por curso lato sensu
✅ Os bastidores da Finlândia e os atalhos do Brasil – por Ronaldo Mota
✅ Diminui a diferença entre jovens ricos e pobres que concluem o ensino médio.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2015
✅ Universidades brasileiras. Pobres financiando ricos…
Recentemente a UFRJ anunciou que precisa de R$ 140 milhões para não fechar as portas. A USP, por sua vez, deve terminar o ano de 2015 com um déficit de R$ 1 bilhão de reais¹. Afundadas em dívidas, a situação dessas duas universidades brasileiras fazem renascer o grande debate no Brasil. Cobrar ou não mensalidade de alunos de universidades públicas?
Um assunto extremamente polêmico e que, portanto, engloba pessoas com opiniões extremamente divergentes no meio dessa discussão.
Mas para termos uma ideia melhor de qual seria uma solução, ao invés de vivermos de ideologia infundada, uma boa estratégia é olhar o que é feito em outros países que são referência em educação. A vantagem de ser o segundo, terceiro, quarto lugar em alguma coisa é que se pode copiar aqueles que estão na sua frente. É rápido, eficiente e geralmente traz bons resultados. E com educação não é diferente....
Estados Unidos. Cada um é responsável pela sua dívida...
Na terra da liberdade, cada aluno paga para estudar nas universidades de elite. Nada é de graça. O aluno que entra no Massachussets Institute of Technology (MIT), por exemplo, tem que arcar com o custo de US$ 40 mil ao ano, ou seja, aproximadamente R$ 650 mil reais por uma graduação de 4 anos.É um valor extremamente alto, não é mesmo? A pergunta natural que parece surgir disso é: e quem não tem condições de arcar com os custos? Bom, para quem não tiver condições, existem os financiamentos estudantis. Com taxas praticamente nulas de juros, o estudante pode pegar um financiamento e arcar com os custos da universidade durante esse período.
Mas na Terra do Tio Sam, não importa o que acontecer, você tem que quitar a sua dívida. É uma cultura de responsabilidade na qual: “sim, você teve a oportunidade de estudar em uma das melhores universidades do mundo, mas agora você tem que encontrar uma maneira de pagar pelo que recebeu".
E por que parece razoável fazer uma dívida de US$ 160 mil dólares?
Embora alguns argumentem que os Estados Unidos não seja tão meritocrático assim e venha com aquele papo filosófico, o que os dados mostram é que o retorno sobre o investimento em educação é altíssimo. Em média os alunos do California Institute of Technology (Caltech), por exemplo, recebem US$ 1,029 milhão em 20 anos de trabalho. No caso do MIT, o retorno é de U$$943 mil². Em resumo, o americano que vai pra universidade sabe que não importa de onde ele venha, qual seja o seu sobrenome, ou a sua cor de pele, ele pode entrar em uma universidade de ponta e vai conseguir financiá-la.
Desnecessário dizer que das 10 universidades do mundo, 8 são americanas**.
Inglaterra. Ricos financiando pobres...
A Inglaterra tem um sistema semelhante. Lá, assim como nos Estados Unidos, nada é gratuito. O aluno tem que pagar pelo curso aproximadamente 9 mil libras ao ano, o que para um curso de 4 anos, totalizaria cerca de R$ 200 mil reais.Apesar da semelhança entre Inglaterra e Estados Unidos, há uma diferença. Na Inglaterra, você também tem direito a um financiamento estudantil. Porém se você está abaixo de uma determinada renda você não precisa pagar esse financiamento depois. Ou seja, se você tem condições de pagar então você paga, se você não tem, a sua dívida é zerada.
Em outras palavras, as pessoas de maior poder aquisitivo acabam financiando os estudos daqueles de poder aquisitivo menor. Esse é um sistema que no longo prazo permite que as pessoas possam ter as mesmas oportunidades.
Brasil. Pobres financiando ricos...
E o Brasil, onde fica nisso tudo? No Brasil optou-se por um ensino superior “gratuito”.Isso é maravilhoso, não é mesmo? Ainda mais para aqueles que vivem do discurso gracioso de que “educação é um direito e deve ser de graça”.
A questão é que, como todo discurso carregado de ideologia, ele peca em uma coisa: analisar os fatos e a situação real.
A começar pelo gratuito entre aspas, pois cada vez mais (felizmente) o brasileiro começa a entender que não é gratuito. Que “não existe essa tal coisa de dinheiro público”. O custo de um aluno na USP por exemplo é de R$ 50 mil reais ao ano*. Mas ao invés dos brasileiros pagarem diretamente à universidade, a população paga indiretamente todos os dias através de impostos, impostos e mais impostos.
Mas esse é o menor dos problemas. O problema é como se organiza o sistema de ensino superior brasileiro.
O Brasil possui um incrível déficit educacional no ensino superior. E o que acontece? Somente alguns podem entrar na universidade pública. Do total de 7 milhões de matrículas em 2011, apenas 27% vão para universidade pública.
E quem entra nas universidades públicas?
Bom, aqueles que tiveram um ensino básico de maior qualidade. Que, no caso do Brasil, todos sabem, é particular. Ou seja, são as pessoas de maior poder aquisitivo que puderam ter um ensino básico de qualidade e por consequências são as que vão entrar na universidade pública.Esqueça aquela história do seu amigo, filho de pedreiro que conseguiu passar em primeiro em medicina da USP. Ela é ótima como inspiração pessoal. Mas política pública não se faz com pontos fora da curva e sim com a grande massa da população. E sinto muito, mas a massa da população não é o amigo filho de pedreiro que estudava entre um farol e outro e passou em primeiro lugar na USP.
Dito isso, serão justamente aqueles que poderiam pagar pelo ensino superior que vão parar nas universidades “gratuitas”. E os que não possuem condições? Bom, esses, além de terem pago os impostos para financiar uma universidade da qual não vão usufruir, ainda vão ter que pagar pela universidade privada. Resumindo, o discurso de ensino gratuito é maravilhoso, mas na prática o que acontece são os pobres financiando ricos...
Solução? Qualquer coisa é melhor do jeito que está...
Dentre os dois, acreditamos que o o modelo inglês é o melhor, basicamente por dois grandes motivos:
O primeiro motivo é que a taxa de juros no Brasil é muito alta. Com juros a 15% ao ano em média, em 5 anos a dívida praticamente dobraria. O que é bem diferente dos Estados Unidos, por exemplo, com juros extremamente baixos. Ou seja, a probabilidade de alguém não pagar aqui por não ter condições financeiras seria extremamente grande...
O segundo motivo, e talvez mais importante, é que a desigualdade no Brasil é extremamente alta e, portanto, faz sentido um modelo em que os ricos financiam os estudos dos mais pobres a fim de reduzir a desigualdade de maneira mais rápida.
Pode haver ainda um debate de qual modelo seria realmente melhor para o Brasil: o americano ou o inglês. E obviamente é uma discussão que poderíamos entrar. O que não se pode aceitar, no entanto, é que o sistema atual brasileiro continue como está, com pobres financiando ricos.
Autor: Leonardo Siqueira - Fonte: http://bit.ly/1QaMllM
* http://www.shanghairanking.com/pt/ARWU2015.html
** Se dividirmos o orçamento de 2015 de R$4,62 bilhões pelo número de 95 mil alunos, ambos informações públicas. Alguns poderiam dizer que essa medida é muito simplista etc; porém o fato aqui é para chamar atenção que o ensino não é gratuito, pelo contrário, é o cidadão que está pagando esses R$4,62 bilhões.